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quinta-feira, dezembro 2, 2021

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Giroud: “O Milan me fez sonhar. Shevchenko era meu jogador favorito na adolescência”

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Olivier Giroud, do Milan (Divulgação/Milan)

O Milan chegou a sonhar com o título italiano, o Scudetto, na temporada passada. Até a virada do ano, os rossoneri eram líderes. Acabaram perdendo rendimento, tiveram lesões, mas acabaram em segundo lugar, atrás apenas da rival Inter. Desta vez, o sonho é mais alto. Terá um reforço que já sonhou muito com o Milan. Olivier Giroud foi anunciado neste sábado e contou que admirava o clube e seus jogadores, como Jean-Pierre Papin, Marco Van Basten e Andriy Shevchenko, que era o seu maior ídolo.

Giroud estava no Chelsea e se despediu do clube na última sexta. Ele chegou a Milão na quinta-feira, fez os exames médicos na sexta-feira para ser, enfim, anunciado neste sábado. Será o sétimo clube na sua carreira e ele chega à Itália depois de nove anos jogando na Inglaterra. Ele conquistou alguns títulos importantes na carreira, como a Ligue 1 pelo Montpellier, quatro títulos de Copa da Inglaterra (três pelo Arsenal, uma pelo Chelsea), uma Liga Europa e uma Champions League pelo Chelsea. Além, claro, de ter sido campeão mundial com a seleção francesa na Copa do Mundo de 2018.

“Eu ainda me sinto um garoto aos 35 anos, ou quase 35 anos”, afirmou Giroud, que faz aniversário em setembro, em entrevista à MilanTV. “Quando eu era mais novo, admirava Jean-Pierre Papin, Andriy Shevchenko e obviamente Paolo [Maldini]. Este time me fez sonhar. Eu também sou um grande fã de Marco van Basten. Então, muitos jogadores atuaram por este clube enorme na Europa. O Milan tem uma grande história na Europa e é por isso que eu queria vir para este clube”, disse o atacante.

“Também para jogar a melhor competição na Europa, a Champions League, e espero conseguir grandes coisas com o time. Eu estarei mais perto da minha família também, porque eu venho de Grenoble. Eu estou realmente muito empolgado, estou ansioso pelo primeiro jogo”.

“Eu me sinto abençoado em ter a oportunidade de ganhar troféus, jogar por grandes clubes. Eu acho que o Milan é um clube que merece jogar no mais alto nível. Brigar pelo Scudetto na Serie A e ter um grande torneio pela Champions League também. Nós queremos jogar em todas as competições, eu sei que tem a Copa da Itália também, que é muito importante para os tifosi”, disse o jogador.

“Eu falei com Fik [Fikayo Tomori] algumas semanas atrás e ele me disse: ‘Nós estamos esperando por você para nos ajudar a ganhar o Scudetto’. Eu não quero colocar muita pressão em ninguém, mas nós obviamente queremos ser os protagonistas”.

“Tenho orgulho das minhas raízes italianas”

O jogador também contou que têm raízes italianas. “É verdade que as minhas duas avós eram italianas. Eu tenho muito orgulho das minhas origens italianas, porque eu aprendi italiano na escola, eu amo o país. A gastronomia é incrível, só um pouquinho atrás da francesa, mas ainda é muito boa. Eu estou ansioso para descobrir os hábitos, a língua, a cidade, ir a passeios turísticos com a minha família”, disse

Shevchenko como ídolo

“Eu estou muito orgulhoso de poder jogar pelo Milan e na Serie A. Um campeonato que eu admirava quando era mais novo. Eu sempre me senti orgulhoso porque o meu jogador favorito quando eu era adolescente era Sheva. E tenho sorte em ter a oportunidade de jogar, como ele, por este enorme clube e escrever história. E eu realmente espero que eu possa fazer isso, é por isso que estou aqui”.

“Sonhava em ganhar uma Copa do Mundo”

Giroud foi perguntado sobre um jogo inesquecível da sua carreira. “Um jogo que é fácil de lembrar, que eu não esqueço, é a final da Copa do Mundo. Quando era pequeno, eu sonhava em ganhar uma Copa do Mundo, como muitas crianças. Foi uma grande conquista e é claro que eu me sinto muito orgulhoso e abençoado”, respondeu o francês.

“Quando Lloris se aposentar, Maignan será titular da França”

Mike Maignan foi contratado para o lugar de Gianluigi Donnarumma, que deixou o Milan e foi para o PSG. O goleiro foi campeão pelo Lille na Ligue 1 e foi muito elogiado pelo compatriota. “Eu falei com Mike Maignan sobre a vinda para o Milan. Quando Hugo Lloris parar, eu acho que ele se tornará o titular da França. Ele é muito talentoso, eu acredito que temos um time forte este ano. Eu espero que o time melhore e que sempre posamos dar o nosso melhor para alcançar nossos objetivos”, declarou ainda o jogador.

Uma parceria com Ibrahimovic?

No Milan ele será parceiro de Zlatan Ibrahimovic, que tem 39 anos e tem sido o principal destaque do time desde que voltou ao clube, em janeiro de 2020. Giroud está ansioso para jogar com o atacante, já que, em campo, os dois já se enfrentaram algumas poucas vezes.

“Eu joguei contra Zlatan algumas vezes. Estar jogando com quase 40 anos, eu acho que ele é um profissional excepcional. Você não pode jogar até essa idade, desse jeito, sem um grande comprometimento pelo time e com grande determinação. Ele está se cuidando e cuidando do seu corpo. Eu tentarei fazer o mesmo para continuar a aproveitar o futebol enquanto o meu corpo me permitir”.

“Eu acho que ele é um exemplo para os mais jovens, ele é um dos melhores atacantes da Serie A e estou ansioso para jogar ao lado dele. E aproveitar o treinamento também, eu acho que nós iremos nos divertir”, continuou Giroud. “Eu quero apenas conquistar algo pelo Milan, e com Zlatan é ainda melhor”.

A conversa com Stefano Pioli

“Quando eu falei pela primeira vez com o senhor Pioli, ele foi muito simples e natural. Nós tivemos uma conversa bastante honesta. Nós estávamos falando sobre táticas e futebol em geral. Eu gosto do modo como ele está pensando futebol e das suas ideias”.

“Eu estava acompanhando o Milan no último ano e ele obviamente tiveram uma grande temporada, também por causa de Pioli, que fez um grande trabalho. Eu estou realmente ansioso para começar a treinar”.

“I M Internazionale Milano”: clube apresenta novo escudo mais simplificado, mas fiel ao original

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O escudo da Internazionale (Divulgação)

Football Club Internazionale Milano. Este é o nome do clube que conhecemos no Brasil como Inter de Milão, ou simplesmente Internazionale. Nesta terça-feira, o clube apresentou seu novo escudo, que foi simplificado, mas manteve as principais características originais e tira o FC das letras para valorizar o “IM”. A ideia é valorizar o nome do clube, Internazionale Milano, reforçando sua ligação com a cidade. Na campanha de marketing, o clube tem usado as iniciais, I M, na língua inglesa, o que representa “eu sou”.

Inicialmente, as informações que surgiram em janeiro foram que o clube mudaria seu nome para “Inter Milano”, além de mexer no escudo. A notícia, claro, foi recebida com temor pelos torcedores. Afinal, vimos o que aconteceu com a Juventus, que mudou completamente seu escudo em 2017 e causou reações bem controversas.

A mudança do nome foi posteriormente negada pelo clube, mas não quer dizer que não haja uma mudança de identidade. Diferente do especulado, a Inter não mudou o nome para Inter Milano, mas a apresentação do novo escudo deixa claro que o clube quer sim valorizar o “Milano” que tem no nome e divulgá-lo mais. Até para diferenciar o clube de tantos e tantas “Inter” pelo mundo.

A mudança de identidade visual, com um novo escudo, faz parte de uma mudança grande da marca do clube. Assim como o PSG, que passou a valorizar o “Paris” para ressaltar a ligação com a cidade, a Inter não quis mudar de nome, ao contrário: quer falar o seu nome e sobrenome, Internazionale Milano, e tentar fazer com que esse nome ganhe o mundo. Como qualquer clube que tem nome de cidade, ele acaba adaptado em cada língua, como Inter de Milão aqui no Brasil, ou Inter Milan em países anglófonos, ou mesmo “Inter Monaco” em alemão. A tentativa de criar uma marca que seja internacional, fazendo jus ao nome, é uma ideia dos donos.

“A Inter mudou sua identidade visual para se abrir a um público cada vez mais digital e sensível à estética, para atingir objetivos globais e diferentes faixas etárias, e se estabelecer como um ícone da cultura e do esporte. O objetivo é fazer a marca da Inter relevante e reconhecível para além da sua base de torcedores e permitir que um público mais jovem e internacional se identifique com valores de inclusão, estilo e inovação que caracterizam a Inter desde a sua fundação”, diz comunicado do clube.

“A evolução inspira-se muito nas raízes do clube; os valores fundamentais da Inter permanecem na frente e no centro, preservando o espírito histórico e emocional com o qual os torcedores mais leais se identificam e enfatizando o vínculo com a cidade de Milão. Este vínculo vai além de Milão ser a casa do clube, porque a Inter também incorpora os valores da cidade: o espírito internacional e a predileção pela inovação e pela mudança contínua, sem trair a sua essência”.

“O novo logo é uma reinterpretação moderna do símbolo histórico do clube, tem um aspecto mais simples e minimalista. Enquanto mantém a continuidade com a versão original, o novo escudo é mais adequado para a era do entretenimento”.

“O foco está nas letras I e M, que foi preservado do design original de Giorgio Muggiani e são emolduradas pelos círculos concêntricos clássicos, de acordo com a tradição nerazzurri. As letras F e C, enquanto isso, continuam no nome e na identidade do clube: FC Internazionale Milano. Embora os gráficos do escudo tenham sido simplificados, são ampliadas as áreas que a Inter poderá se desenvolver – um clube de futebol, mas não apenas isso. As cores permanecem aquelas aplicadas na noite do dia 9 de março de 1908, tornadas mais vibrantes e vivas”.

O novo escudo foi desenvolvido pela Bureau Borche. Segundo o próprio clube, a ideia foi manter grande parte do design original do escudo criado em 1908 por Giorgio Muggiani, mas em uma versão que é “particularmente adequado para dispositivos digitais e pode ser visto claramente”. O clube ainda ressalta que “essa visibilidade em dispositivos móveis e telas cada vez menores é extremamente importante hoje em dia quando se busca obter a exposição certa”.

As cores, que simbolizam o céu e a noite, foram mantidas, mas o clube justificou que elas estão mais claras, mais intensas e mais vibrantes, de forma a ser mais perceptível e reconhecível. Apesar do escudo não ter mais o amarelo, o clube afirmou que a cor voltará a ser usada e será usada em muitas peças. Ainda não se sabe se estará na camisa, mas certamente em muitas peças da coleção do clube. A fonte usada, segundo informado pelo clube, é o Giorgio Bold para as letras do escudo e Univers Roman 55 para os textos.

A evolução dos escudos da Inter de 1908 a 2014 (Pinterest, Bauscia.it)

Segundo a Internazionale, o atual escudo será usado até o final da temporada nas camisas. O novo só estará aplicado em coleções de agasalhos e uniforme de pré-jogo, que já irão a campo na próxima partida da equipe. A partir da próxima temporada, 2021/22, o novo escudo estará na camisa.

Mais do que mudar de escudo, o clube está em processo de mudar também de dono. O grupo Suning, atual dono da Inter, vive uma reestruturação e passa por problemas financeiros. O clube sente os efeitos e, embora seja líder, tem problemas financeiros. Apesar disso, o clube conseguiu pagar a parcela da transferência de Achraf Hakimi ao Real Madrid, além dos salários devidos até o fim do mês.

Há a expectativa que o Grupo Suning venda parte das ações da Internazionale para ter fluxo de dinheiro novo. O grupo chinês não gostaria de sair da operação do clube, mas precisa de novos sócios para continuar. Por isso, muitas negociações são especuladas, mas nada ainda foi fechado. O BC Partners, empresa britânica de investimentos, é uma das principais candidatas.

Assista ao vídeo de apresentação do novo escudo da Inter:

Estes são os confrontos de quartas de final da Champions League

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Bola da final da Champions League 2021 em Istambul (Imago/OneFootball)

A Uefa realizou nesta sexta-feira (19) o sorteio dos confrontos de quartas de final da Champions League 2020/21. Os ingleses Manchester City e Chelsea tiveram a maior sorte no confronto, se é que a essa altura podemos definir assim, tirando Borussia Dortmund e Porto. Nos outros dois encontros, gigantes continentais batalharão para avançar às semifinais.

Duas finais recentes da Liga dos Campeões se repetirão nas quartas de final. Real Madrid e Liverpool, que se enfrentaram na decisão de 2017/18, medem forças, enquanto Bayern de Munique e PSG, finalistas da última edição, repetem seu duelo. Pelo sorteio, Bayern e Real Madrid fazem o segundo jogo como mandante.

Favorito contra o Dortmund, o City ainda fará a partida de volta como mandante. Já o Chelsea terá que definir a vaga como visitante contra o Porto.

Confira abaixo os confrontos e o caminho completo até a final em Istambul, na Turquia.

Quartas de final da Champions League 2020/21

Manchester City x Borussia Dortmund
Porto x Chelsea
Bayern de Munique x Paris Saint-Germain
Real Madrid x Liverpool

Semifinais da Champions League 2020/21

Bayern de Munique/PSG x Manchester City/Borussia Dortmund
Real Madrid/Liverpool x Porto/Chelsea

A final da Champions League 2020/21 está marcada para 29 de maio de 2021 e acontecerá no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, na Turquia, palco da decisão de 2004/05 entre Milan e Liverpool, vencida pelos Reds nos pênaltis.

De Rossi será assistente técnico de Roberto Mancini na seleção italiana

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Daniele De Rossi com a camisa da Itália (Imago/OneFootball)

Daniele De Rossi se aposentou em 2020 jogando pelo Boca Juniors e já tinha planos claros para continuar no futebol, agora como treinador. Em dezembro, ele começou o curso para tirar a Licença Uefa A, que permite que ele trabalhe no nível de Serie C italiana. Mesmo assim, ele foi especulado em diversos clubes. Nesta quinta-feira, o ex-jogador, de 37 anos, foi anunciado como auxiliar de Roberto Mancini na seleção italiana.

Com isso, De Rossi poderá trabalhar de perto com o treinador em Coverciano e começar a dar seus primeiros passos na nova carreira. “Eu estou orgulhoso em começar esta nova carreira com a seleção e eu agradeço tanto ao presidente [Gabriele] Gravina quanto o técnico Mancini pela confiança e oportunidade”, disse o ex-jogador em entrevista ao site da FIGC, a Federação Italiana de Futebol.

“Será empolgante retornar a Coverciano, que para mim significa ir para casa e encontrar antigos companheiros e amigos nos funcionários e no elenco, e mal posso esperar para começar. Eu farei isso com entusiasmo, sabendo que estou apenas no começo e eu ainda tenho muito a aprender, mas eu também espero poder ajudar o time”.

“Eu estou muito satisfeito que Daniele venha para o nosso grupo. Eu tenho certeza que ele será capaz de dar uma contribuição importante para os jogadores e eu espero que esta primeira experiência como treinador se prove útil no futuro”, avaliou Roberto Mancini ao comentar o novo membro da sua comissão técnica.

“Eu tenho certeza que sua história, experiência, seu vínculo inquebrável com a camisa Azzurra se tornará um grande valor para um time que já mostrou que pode ambicionar resultados de prestígio. O técnico irá saber como melhorar suas habilidades dentro do grupo e com a comissão técnica. Esta nova experiência também irá garantir a Daniele mais crescimento em sua jornada de treinamento técnico”, disse Gabriele Gravina, presidente da FIGC.

De Rossi jogou pela seleção italiana de 2004 a 2017 e foi campeão do mundo em 2006. Antes, jogou pelo time sub-19 em 2001 e também atuou pela equipe sub-20 em 2002 e pelo sub-21, em 2003, antes de estrear pelo time principal. Jogou 117 partidas pela seleção italiana principal, com 21 gols marcados. Além de ter sido campeão em 2006, esteve no elenco vice-campeão da Eurocopa em 2016.

Ao longo da sua carreira, De Rossi sempre foi um jogador visto como alguém que valorizava a paixão pelo futebol. Torcedor da Roma, foi jogador do clube em quase toda a carreira, deixando apenas uma temporada para atuar pelo Boca Juniors, a quem admirava pela imensa paixão da sua torcida. Algo que só poderia mesmo acontecer com alguém que é apaixonado pelo que faz, pela profissão e pelo futebol. Se levar um pouco disso para a nova função, será algo muito interessante de ver.

Ariel Holan terá um desafio grande, mas é uma escolha que faz sentido para o Santos

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Ariel Holan na Universidad Catolica (JUAN IGNACIO RONCORONI/POOL/AFP via Getty Images/OneFootball)

O Santos definiu quem será o seu próximo técnico: Ariel Holan, de 60 anos, será o comandante do time da Vila Belmiro, depois de ter assinado contrato até o fim de 2023. O argentino substitui o atual técnico, Cuca, que levou o time à final da Libertadores enfrentando muitas dificuldades, o que revitalizou a sua carreira. A contratação faz sentido para o alvinegro praiano, já que o novo treinador tem um histórico de times ofensivos e que trabalham bem a bola. Como método, é diferente de Cuca, claro, mas tem uma mentalidade que parece se encaixar no clube da baixada e que é exigido de todos que assumem o cargo.

Técnico da seleção uruguaia de hóquei sobre grama, foi campeão pan-americano em 2003, em Santo Domingo, conquistando a medalha de ouro na modalidade. No futebol, sua trajetória começou trabalhando como analista de desempenho, antes de se tornar auxiliar técnico. Levou uma visão de treinamento diferente para o futebol, o que era tratado como exótico por uns e inovador por outros.

O técnico é elogiado por um estilo de jogo de muita energia, habitualmente trabalhando em um esquema 4-3-3, com liberdade aos atacantes, mas exigindo que os jogadores se dediquem muito à recuperar a bola. Quando tem a posse, os melhores momentos dos times de Holan tiveram muita velocidade para definir o lance. Uma intensidade que é sempre difícil de ser aplicada a longo prazo. Em alguns momentos, ele precisou adaptar para um time de posse de bola e mais paciência, mas nem sempre teve sucesso.

Um dos pontos mais críticos no trabalho de Holan é que ele exige uma participação e independência grande em relação a transferências. Considerando que o Santos tem um orçamento limitado pelas dívidas, pode se tornar um problema. De qualquer forma, ele trabalhou em clubes sem tantos recursos, como o Defensa y Justicia e também um gigante em crise, o Independiente, e conseguiu ter sucesso – no caso dos Rojos, ao menos por um tempo.

No trabalho na Universidad Catolica, também trabalhou com recursos mais limitados em termos sul-americanos, ainda que grandes dentro do mercado nacional. Resta saber o que o Santos prometeu a ele e como pretende colaborar para o técnico ter o time que acredita ser o melhor. A fala do presidente do Santos, Andres Rueda, dá um indício sobre isso: “Um profissional que usa a base, joga ofensivamente e que se adequou à questão financeira do clube”.

Nas primeiras palavras pelo novo clube, Holan pareceu entender o que se espera dele, a questão do estilo e o tão falado DNA santista de futebol ofensivo e uso das categorias de base. “Estou muito feliz em dirigir o Santos, um clube com tantos craques como Pelé e Neymar. Será um desafio participar de uma das ligas mais equilibradas do Mundo, mas confio plenamente que vamos entregar um bom resultado para a torcida com mentalidade ofensiva e que os jogadores mais novos sejam aproveitados com os mais experientes. Sei que é uma responsabilidade muito grande, mas estou animado”, declarou o treinador.

O argentino ainda disse que quer aprender português e prometeu melhorar seu desempenho no idioma. “Fica minha promessa que vou terminar falando bem o português”. Vale lembrar que o técnico não assume o time para esta última rodada, que terá como técnico interino o auxiliar permanente do clube, Marcelo Fernandes. Holan assume logo depois do término do Campeonato Brasileiro para iniciar a temporada no Campeonato Paulista.

Histórico de trabalhos de Ariel Holan

Holan estava na Universidad Catolica, onde conquistou o título do Campeonato Chileno de 2020. O título foi conquistado no dia 10 de fevereiro, ratificando assim o seu tricampeonato nacional. O título chileno foi o terceiro do treinador. Antes, ele tinha conquistado dois títulos pelo Independiente: a Copa Sul-Americana de 2017, naquela final contra o Flamengo, e a Copa Suruga Bank, consequência da primeira conquista. Contratado pelo clube chileno no início de 2020, também conduziu a equipe às quartas de final da Sul-Americana, mas foi eliminado pelo Vélez.

O Santos será apenas o quarto clube na carreira de Ariel Holan. Em grande parte da sua carreira, o treinador trabalhou como assistente. Trabalhou com o campeão do mundo Jorge Burruchaga e foi assistente de Arsenal de Sarandí, Estudiantes, Independiente, Banfield e de volta ao Arsenal. Depois, assumiu os times de base do Argentinos Juniors em 2011.

Voltou a ser assistente técnico pouco depois, naquele mesmo ano de 2011, tornou-se assistente de Matías Almeyda no River Plate, sendo parte da comissão técnica do time que levou os Millonarios de volta à primeira divisão. Foi assistente de Almeyda também no Banfield até 2015.

Foi nos primeiros trabalhos como assistente que Holan chamou a atenção, ainda lá em 2003. Ele começou a trabalhar com drones e GPS, algo que se tornaria comum anos depois, mas não era feito na Argentina. Seu primeiro trabalho como técnico principal veio apenas em 2015, quando foi chamado para comandar o Defensa y Justicia. Sim, esse mesmo clube campeão da Sul-Americana neste início de 2021, ainda relativo à temporada 2020. Holan foi um dos técnicos que iniciou a trajetória do clube em criar uma identidade de bom futebol, mas sempre com jogadores modestos.

O desempenho do time foi elogiado e ele conseguiu algo histórico: foi o primeiro a conseguir classificar o time para uma competição continental, no caso, a Sul-Americana. O futebol do time não era de posse de bola, mas tinha uma transição ofensiva muito veloz e atacava de forma muito organizada, envolvendo o adversário aproveitando as brechas oferecidas. O seu time era cheio de energia: trabalhava muito para recuperar a bola rápida e, uma vez conseguido isso, atacava com voracidade. A classificação ao torneio sul-americano foi uma conquista e tanto para um time que tinha o objetivo de não cair novamente.

O excelente desempenho o faria ganhar o convite de um grande time argentino, o Independiente. O treinador promoveu uma reformulação no elenco e apostando em um jovem: Ezequiel Barco, então com 16 anos, que se tornaria um badalado jogador do time em 2017. Na temporada anterior à chegada de Holan, o time tinha ficado no meio da tabela; com ele, brigou nas primeiras posições, mas acabou perdendo a vaga na Libertadores. A conquista da Sul-Americana, naquele fim de 2017, foi o ponto alto do trabalho do técnico.

O ano de 2018 foi turbulento para Holan e o Independiente. Já em janeiro houve um desentendimento que levou o técnico a se demitir, mas poucos dias depois voltou atrás e assinou por três anos com o clube. Depois, as saídas de jogadores que deixaram o clube atirando contra o técnico, como Erviti, Amorebieta e Gigliotti. Antes, jogadores como Victor Cuesta também criticaram o treinador – este último negociado depois de não entrar nos planos do treinador quando ele assumiu.

Os problemas aumentaram, com o time sendo eliminado nas quartas de final da Libertadores e uma queda de rendimento que levou o time a sequer se classificar para a próxima edição da principal competição sul-americana. Com o time em sétimo na tabela, Holan foi demitido em maio de 2019.

Na sua melhor fase no Independiente, o time tinha um estilo que ele consagrou no Defensa y Justicia: muito veloz, com transições rápidas, tanto da defesa para o ataque quanto também defendendo, do ataque para a defesa. Aos poucos, a mudança de estilo para um time mais paciente, trabalhando com posse de bola e com mais paciência, não agradou. Os resultados não vieram, os problemas aumentaram e isso acabou pesando na sua saída.

O Santos será um desafio importante em vários aspectos, inclusive no calendário. O Brasil é um país com um excesso de jogos que vai além até de calendários desorganizados por todo o continente. Há o campeonato estadual, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores e problemas como não respeitar a data Fifa. Há ainda a adaptação ao novo país como um todo, o que pode ser complicado. Como ideia, a contratação de Holan parece fazer sentido para o Santos. Resta saber como será a prática.

Veja a primeira entrevista de Ariel Holan como técnico do Santos ao canal do clube:

Briga de artilheiros, Ibra expulso e golaço de Eriksen aos 96 minutos: Inter elimina o Milan da Copa Itália

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Eriksen é abraço após o seu gol (Marco Luzzani/Getty Images/OneFootball)

As quartas de final da Copa Itália tiveram um Derby della Madonnina emocionante em San Siro. A disputa por uma vaga na semifinal teve gol de Zlatan Ibrahimovic, depois a sua expulsão, uma discussão forte entre ele e Romelu Lukaku por uma suposta ofensa racista, pressão interista e um golaço de falta de Christian Eriksen, aos 97 minutos, para dar a vitória à Inter por 2 a 1 sobre o Milan.

Antonio Conte só tinha um desfalque para a sua inter, o lateral Danilo D’Ambrosio. O Milan, de Stefano Pioli, ainda estava sem Mario Mandzukic, além de Sandro Tonali, Pierre Kululu, Matteo Gabbia, Ismael Bennacer e o suspenso Gianluigi Donnarumma.

O primeiro tempo foi bem equilibrado, mas o Milan é que conseguiu sair em vantagem. O atacante recebeu dentro da área de Souliho Meité e chutou de bico, cruzado, no canto, e a bola tocou na trave e entrou: 1 a 0.

A Inter quase arrancou o empate aos 37 minutos, com uma cabeçada de Alexis Sánchez, depois de cruzamento de Ivan Perisic, mas Theo Hernández salvou em cima da linha, antes de Tomori, outro recém contratado, também salvar.

“Vá fazer seu vudu, seu idiota”

No fim do primeiro tempo, veio uma imensa confusão entre Lukaku e Ibrahimovic. Os dois chegaram a ser companheiros de Manchester United por um curto período de tempo, mas isso não impediu que os dois se desentendessem de forma feia. Segundo o Tuttomercatoweb, Ibra disse a Lukaku: “Vá fazer seu vudu, seu idiota”.

Aqui é preciso explicar o contexto. A história do vudu surgiu pelo dono do Everton, Farhad Moshiri, que disse que não conseguiu manter Lukaku no Goodison Park porque apesar de ter feito uma proposta melhor que a do Chelsea ne época e estar com o agente do jogador pronto para assinar o contrato, Lukaku ligou para a mãe. Ela disse que estava em peregrinação na África ou algum outro lugar e que tinha feito um vudu que dizia que ele tinha que ir para o Chelsea. Por isso, segundo o dirigente, ele não ficou – mas acabou no Manchester United, não no Chelsea, que também fez proposta por ele.

A história foi muito explorada pelos tabloides, sempre sensacionalistas e que gostam de falar sobre rumores, como esse. A fala de Ibrahimovic enfureceu Lukaku, que foi para cima de Ibra dizendo: “Vá se foder você e sua mulher, você quer falar da minha mãe?”. Os dois jogadores receberam cartões amarelos pelo incidente, que gerou uma confusão generalizada e não parou com o cartão. Até a ida para o vestiário, Lukaku precisou ser contido. O cartão tira Lukaku da primeira parte da semifinal, já que ele estava pendurado.

Veja a confusão:

No segundo tempo, a Inter voltou forte para o jogo, a começar pela entrada de Achraf Hakimi, que substituiu Matteo Darmian e deu muita força ofensiva ao time. Logo nos primeiros minutos, ele cruzou para Alexis Sánchez levar perigo ao gol de Ciprian Tatarusanu. Tomori bloqueou muito bem Lukaku em uma finalização pouco depois.

Foi quando o jogo mudou. Aos 13 minutos, Ibra tomou um segundo cartão amarelo tolo depois de uma falta em Aleksandar Kolarov. Foi expulso de campo. Com um jogador a menos, a situação do Milan se complicou e a Inter cresceu muito no jogo. Tanto que o Milan praticamente não existiu ofensivamente na segunda etapa. Só que o placar o favorecia naquele momento.

O lance da expulsão:

O empate veio de forma controversa. Rafael Leão deu um carrinho bastante imprudente dentro da área em cima de Nicolò Barella. O árbitro, Paolo Valeri, não marcou nada. Quando a bola sair, ele foi chamado para revisar o lance. Depois de olhar no vídeo, o árbitro mudou de ideia e apontou o pênalti. O lance é, no mínimo, discutível. Da marca da cal, Lukaku cobrou e empatou o jogo em 1 a 1. A Inter, que era só ataque, passou a pressionar de forma avassaladora.

Com a vantagem numérica em campo, a Inter finalizou muitas vezes. Só no segundo tempo, foram 19 finalizações a gol, com oito delas no alto, além de 76% de posse de bola. Ao menos três boas chances para marcar, mas parecia que o jogo estava destinado a um empate e, portanto, uma prorrogação. O Milan não tinha finalizado nenhuma vez no segundo tempo e só se defendia. Só que veio a última das finalizações e ela foi decisiva.

Lautaro Martínez, que entrou no segundo tempo, foi derrubado a poucos metros da área por Meité. Christian Eriksen, que tinha entrado há pouco, fez uma cobrança de falta perfeita e colocou no alto, por cima da barreira e fora do alcance do goleiro: 2 a 1 para a Inter. Foi o seu primeiro gol na temporada, em que tem jogado pouco. Mesmo assim, já pode dizer que fez uma jogada decisiva.

Uma vitória importante por ser um clássico, por classificar o time e por dar moral diante do líder da Serie A. A Inter segue em busca de um título. O jejum da equipe dura desde 2011, quando conquistou justamente uma Copa Itália. A Inter espera o vencedor de Juventus ou Spal na semifinal, no que pode ser um outro clássico.

Ficha técnica

Os gols

O que levou à demissão de Lampard no Chelsea, que deve ter Thomas Tuchel como substituto

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Frank Lampard, do Chelsea (TIM KEETON/POOL/AFP via Getty Images/OneFootball)

O Chelsea anunciou nesta segunda-feira a demissão do técnico Frank Lampard, de 42 anos. O ídolo do clube deixa o clube depois de um ano e meio no cargo, em que conseguiu um bom primeiro ano, mas na segunda temporada faz campanha decepcionante. Já se sabe também que o substituto, embora ainda não confirmado pelo clube, será o ex-técnico do PSG, Thomas Tuchel.

Demitir um ídolo não é fácil, mas o clube de Stamford Bridge não é exatamente conhecido pela paciência com seus treinadores. Mais do que isso: o investimento alto no time fez com que a pressão também fosse maior. Lampard falhou em entregar tanto bom futebol quanto bons resultados.

“Esta é uma decisão difícil para o clube, não apenas porque eu tenho um excelente relacionamento pessoal com Frank e porque eu tenho o máximo respeito por ele. Ele é um homem de grande integridade e ele tem a maior das éticas de trabalho. Contudo, sob as atuais circunstâncias, nós acreditamos que o melhor é trocar o técnico”, afirma Roman Abramovich, dono do clube, em comunicado.

“Em nome de todos no clube, a diretoria e pessoalmente, eu gostaria de agradecer Frank pelo seu trabalho como técnico e desejar a ele todo o sucesso no futuro. Ele é um ícone importante para este grande clube e seu status aqui continua inalterado. Ele sempre será bem-vindo de volta a Stamford Bridge”, continua o dirigente.

Desgaste de Lampard no Chelsea vem de muito tempo

Segundo o site The Athletic, havia pressão sobre Lampard antes mesmo do início da temporada. “No momento que ele entrar em uma série de quatro ou cinco resultados, o Chelsea irá decidir fazer uma mudança”, afirmou uma fonte ao site, ainda em agosto, antes mesmo da primeira rodada da Premier League. “Lampard não irá durar muito se houver uma queda séria nos resultados, especialmente depois de todo o dinheiro que foi gasto. Ele está em uma situação muito precária e eu só posso ver isso acabando de um jeito”.

Poderia parecer um exagero, ainda mais depois da boa temporada no primeiro ano do jovem treinador pelo clube. Lampard levou o Chelsea os Blues ao quarto lugar, com algum esforço, garantindo a participação na Champions League. Dentro do resultado esperado, ainda mais em uma temporada que Liverpool e Manchester City estiveram tão acima dos rivais, especialmente os Reds.

Nesta temporada, porém, a expectativa era alta. Especialmente porque o clube abriu a carteira para reforçar o elenco. Kai Havertz (£72 milhões), Timo Werner (£47,7 milhões), Ben Chilwell (£45,18 milhões), Hakim Ziyech (£36 milhões) e Edouard Mendy (£21,6 milhões), Malanga Sarr (transferência livre) e Thiago Silva (transferência livre) chegaram para tornar o Chelsea mais forte. Foram £222 milhões gastos, uma quantia maior que todos os concorrentes.

O Chelsea chegou a liderar a Premier League no dia 5 de dezembro, depois de vencer o Leeds. Desde então, a situação se deteriorou muito e os Blues estão apenas no nono lugar, atrás de Everton, West Ham e Aston Villa. Tem 29 pontos, enquanto o líder, Manchester United, tem 40. O quarto colocado, Liverpool, tem 34. A situação em campo e nos resultados é ruim, mas isso é só uma parte da história. O desgaste de Lampard vem acontecendo aos poucos e os problemas em campo foram só o último capítulo dos problemas.

Um começo turbulento já na negociação de contrato

Lampard não era visto como o técnico ideal pela direção do Chelsea, mas tinha uma qualidade importante para um ano que se previa ser muito difícil: é um ídolo do clube. Os Blues foram punidos pela Fifa em 2019 com a proibição de contratar jogadores por duas janelas de transferências por irregularidades com menores de idade. A punição depois foi reduzida pela metade em dezembro, permitindo novas contratações em janeiro de 2020. Por isso, o clube sabia que seria difícil competir com os principais concorrentes. Ter Lampard era útil: ajudava a engajar os torcedores e que eles tivessem mais paciência, caso as coisas não dessem tão certo.

A negociação já criou problemas: havia uma proposta bem lucrativa de outro clube, mas quando o Chelsea bateu à sua porta, Lampard não teve dúvidas. Sabia que era arriscado assumir um clube com tamanha expectativa depois de apenas uma temporada como técnico. Sua relação com o clube, de 2001 a 2014, dava um certo lastro a ele. Só que a negociação foi complicada. O ex-jogador já tinha avisado ao Derby que deixaria o clube e a proposta do Chelsea foi muito menor do que o esperado. O salário era de cerca de £4 milhões por ano, muito menor do que outros técnicos contratados pelo clube. Claro, possivelmente justificados pela falta de experiência do ex-jogador, mas que fez com que o relacionamento entre o novo técnico e a diretora Marina Granovskaia já começasse mal.

Isso piorou quando Lampard trouxe a lista de quem ele queria trazer para a sua comissão técnica: Jody Morris, Joe Edqards e Chris Jones, que foram autorizados. Shay Given, que seria o treinador de goleiros, foi barrado. Além disso, Eddie Newton, gerente técnico de empréstimos, continuaria no clube e Lampard teria que trabalhar com ele. Era um nome de confiança da diretoria e o técnico sabia que o clube tinha uma estrutura política. Ele nunca foi muito envolvido no trabalho e acabou deixando os Blues em janeiro de 2020, seis meses depois do início do trabalho do treinador.

Divergências sobre transferências e reclamações públicas

Em janeiro de 2020, com a queda do embargo de transferências, e com o clube brigando para terminar entre os quatro primeiros, Lampard pediu dois reforços: Pierre-Emerick Aubameyang, que estava considerando deixar o Arsenal, e Hakim Ziyech. Nenhum dos dois chegou naquele mês. Ziyech, porém, acabou contratado em fevereiro, só para a temporada 2020/21, que começou em setembro.

Lampard começou a reclamar publicamente da falta de reforços. O relacionamento com Granovskaia já estava desgastado. Foi quando o Chelsea começou a considerar um plano B para o caso de demitir Lampard, com Mauricio Pochettino e Julian Nagelsmann na lista. Só que no fim da temporada, depois da paralisação por causa da pandemia, Lampard levou o time ao quarto lugar e à final da Copa da Inglaterra.

Além disso, ele fez algo que nenhum técnico anterior tinha feito: incorporar muitos jogadores da base no elenco, com alguns deles sendo importantes no desenvolvimento do time. Com tudo isso, Lampard ganhou crédito e foi mantido no cargo. Mas já não tinha um grande suporte na diretoria. Apesar disso, a relação de Lampard com o dono do clube, Roman Abramovich, ainda era boa e forte.

Outro ponto de discórdia foi a relação com o goleiro Kepa Arrizabalaga. Lampard tirou o jogador do time titular ainda na temporada passada, colocando Willy Cabalero. Depois, no verão europeu, no meio do ano de 2020, pediu a contratação de um novo goleiro. O clube achava que era mais importante tentar recuperar o goleiro, que custou uma fortuna (tornou-se o mais caro goleiro da história quando foi comprado por £71,6 milhões em 2018). O clube estava relutante em aceitar o pedido do técnico por um novo goleiro, mas as duas primeiras atuações do goleiro espanhol na temporada atual fizeram com que ele recebesse o que pediu: Edouard Mendy chegou e tomou conta da posição.

Outro ponto de discórdia foi o pedido por Declan Rice, do West Ham. Queria a contratação na última janela de verão e voltou a pedir nesta janela de inverno. O jogador passou pela base do Chelsea, mas foi dispensado e despontou nos Hammers. A insistência de Lampard na contratação irritou os dirigentes. Especialmente porque não queria gastar uma fortuna para contratar um jogador que já foi da sua base, pela repercussão negativa. Essa discussão já fez o técnico balançar.

Em relação a transferências, há outro ponto: segundo uma fonte do Athletic, só um dos seis contratados veio a pedido de Lampard, o lateral esquerdo Ben Chilwell. Todos os outros vieram por indicação do clube. Além disso, o técnico queria uma reformulação da defesa com a contratação de James Tarkowski, do Burnley, e vender Fikayo Tomori, Marcos Alonso e Antio Rudiger. O técnico estaria aberto até à possibilidade de negociar Cesar Azpilicueta, capitão do time, se chegasse uma boa proposta. Todos esses jogadores ficaram e Tarkowski não chegou. O Chelsea contratou Thiago Silva, o que não estava nos planos de Lampard, mas que não se opôs e achou que a experiência do jogador poderia ser importante.

Lampard também irritou a direção quando não conseguiu fazer com que as duas principais contratações do time, Kai Havertz e Timo Werner, rendessem bem. Mais do que isso: pareceu, em algum ponto, que o técnico desistiu de recuperá-los, especialmente Havertz. Mas mesmo no caso de Werner, o seu uso como um ponta esquerdo, mais do que um atacante, também gerou questionamentos. E agora, além de reclamar sobre a falta de transferências, o técnico também criticou os jogadores, como na derrota para o Arsenal por 3 a 1. Gerou insatisfação também no vestiário.

A fase ruim fez com que mesmo o dono do clube Roman Abramovich deixasse de apoiar o técnico. Ele mesmo estava insatisfeito com o que vinha acontecendo depois da derrota para o Manchester City. O ponto de não retorno, porém, aconteceu depois da derrota para o Leicester, de Brendan Rodgers, no último dia 19. Abramovich, então desistiu de Lampard e passou a procurar um substituto. A situação era tão ruim que o próprio técnico sabia que seu tempo tinha acabado. Ele cumprimentou os jogadores no vestiário e agradeceu pelos esforços feitos sob o seu comando.

A insatisfação era dos dois lados. Lampard teria se demitido antes do início da temporada se fosse outro clube que não o Chelsea, segundo o Athletic. Como era o clube com o qual tem uma ligação forte, permaneceu. Mas a relação era ruim e era muito desgastante para o técnico. A insatisfação dos dois lados deixava tudo por um fio antes mesmo da bola rolar em 2020/21.

Os jogadores também estavam insatisfeitos. Muitos deles reclamavam que o técnico não conversava com eles. Alguns sentiam que o técnico os tinha abandonado. Além disso, alguns jogadores sentiam falta de um detalhamento tático maior, algo que Lampard não fornecia. Sentiam que faltava um detalhamento sobre o plano de jogo para as partidas.

Por outro lado, foram oito jogadores da base que estrearam no time principal com Lampard, algo que nenhum outro técnico sob o comando de Abramovich fez. O Chelsea é conhecido por ser um grande formador de jogadores, mas é péssimo em aproveitá-los. Lampard parecia tentar mudar isso. Primeiro, porque sem contratações, era fundamental olhar para esses jogadores. Nomes como Mason Mount e Tammy Abraham se tornaram importantes na equipe.

Lampard recebeu a proposta de ir para o Chelsea muito cedo, ainda muito jovem na profissão, com apenas um ano de profissão. Talvez tenha faltado experiência para explorar um elenco que tinha muito talento, talvez tenha faltado tato para lidar com os jogadores e talvez tenha faltado até mesmo experiência para lidar com um clube muito cheio de política interna como é o Chelsea em relação a outros clubes ingleses. Tudo isso tem um peso. Os resultados e o futebol insatisfatório, foi mais um fator, não só o único.

A situação, porém, se tornou irreversível. Sem a confiança de Granovskaia e nem de Abramovich, com insatisfações na hierarquia do clube e no vestiário, Lampard perdeu todo o apoio que tinha. Os resultados ruins foram o fim da linha para o treinador. Ele ganhou um bilhete azul, anunciado nesta segunda-feira.

Busca de um substituto alemão

O Chelsea passou a buscar um técnico, mesmo que interino, para o lugar de Lampard. O experiente Ralf Rangnick recebeu a proposta de ser o técnico interino até o fim da temporada e depois ser convertido em diretor, mas ele recusou. O clube tinha a ideia de trazer um técnico que falasse alemão, justamente para tentar tirar o máximo dos seus contratados, Havertz e Werner, dois jogadores de seleção alemã.

Julian Nagelsmann foi sondado, mas o Leipzig não aceitou nem negociar. Thomas Tuchel passou a ser cotado como o substituto. Inicialmente, o ex-treinador do PSG não queria assumir durante a temporada, mas foi convencido a isso. Ele já tinha sido cotado para assumir o comando dos Blues dois anos antes, quando Antonio Conte deixou o clube.

Tuchel está sem trabalho desde a demissão no PSG, no final de dezembro. O técnico ficou duas temporadas no clube de Paris, com dois títulos franceses, além de levar a equipe à final da Champions League na temporada passada, quando perdeu para o Bayern de Munique. Trabalhou antes no Mainz, em 2009, e ficou até 2014, mantendo o clube na primeira divisão e usando muito a base. De 2015 a 2017, esteve no Borussia Dortmund, onde fez boas campanhas, ganhou uma Copa da Alemanha, mas deixou o clube após desgaste com a direção dos aurinegros.

O desgaste com a direção se repetiu em Paris, onde o treinador estava no meio da sua terceira temporada quando foi demitido. Veremos como será a relação de Tuchel, que é visto como alguém de personalidade forte, com a direção do Chelsea, que normalmente é dura na queda.

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PSG apresenta balancete com previsão de prejuízo de mais de € 200 milhões

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Mbappé, do PSG (FRANCK FIFE/AFP via Getty Images/OneFootball)

O Paris Saint-Germain tem uma perspectiva financeira ruim para o final da atual temporada, 2020/21. Segundo o L’Equipe, o clube apresentou um balancete à DNCG (Direção Nacional de Controle de Gestão) da Liga de Fútbol Profesional (LFP) que mostra uma previsão de perdas de €204 milhões, um valor 60% maior do que na temporada passada, 2019/20, a primeira afetada pela pandemia da COVID-19.

O clube é um dos mais ricos do mundo, já que tem como dono a Qatar Investment Authority (QIA), controlada pela família real do Catar. Apesar disso, a operação financeira dos parisienses ficou comprometida, assim como grande parte dos clubes no mundo, pela crise causada pela pandemia. Por isso, o clube terá que reduzir gastos ou se verá obrigado a vender jogadores para equilibrar o caixa. É provável que outros clubes estejam em situação parecida, mas a folha salarial do PSG é grande e o clube já vinha em um processo de tentar reduzi-la nos últimos tempos.

Na última temporada, 2019/20, o clube já foi um pouco mais contido nas contratações em relação às temporadas anteriores. Levou a Paris o zagueiro Abdou Diallo, do Borussia Dortmund, por €32 milhões; Idrissa Gueye, do Everton, por €30 milhões, Pablo Sarabia, do Sevilla, por €18 milhões; e Keylor Navas, do Real Madrid, por €15 milhões. Isso além das contratações de Mitchel Bakker, Marcin Bulka e Ander Herrera, que chegaram de graça após o fim dos seus contratos. Também contratou, por empréstimo, Mauro Icardi, da Inter, e Sergio Rico, do Sevilla. Gastou um total de €95 milhões.

No geral, porém, o balanço foi positivo, ao arrecadar €105 milhões em vendas de jogadores: Giovanni Lo Celso (€22 milhões), Moussa Diaby (€15 milhões), Christopher Nkunku (€13 milhões), Stanley Nsoki (€12,5 milhões), Grzegorz Krychowiak (€12 milhões), Timothy Weah (€10 milhões), Arthur Zagre (€10 milhões) e Kevin Trapp (€7 milhões). Ainda emprestou Alphonse Areola (por €2 milhões), José (€2 milhões) e vendeu também Rémy Descamps (€400 mil).

Nesta temporada, o PSG teve gastos. Essencialmente, porque contratou dois jogadores que estavam emprestados: Mauro Icardi (€50 milhões) e Sergio Rico (€6 milhões), além dos empréstimos de Danilo Pereira (€4 milhões) e Alessandro Florenzi (€1 milhão). Contratou ainda dois jogadores sem qualquer custo: Alexandre Letellier, do Orléans, e Rafinha, do Barcelona. No total, o clube gastou €61 milhões e arrecadou só €5 milhões com a venda de Loïc Ben Soh ao Nottingham Forest.

Além de não poder fazer grandes contratações na próxima temporada, já que a perspectiva financeira é ruim, o clube ainda vive uma incerteza com as negociações das renovações de Neymar e Kylian Mbappé. Os dois jogadores têm contrato até junho de 2022, depois de terem assinado contratos de cinco anos em 2017. Não renovar com um deles seria desastroso, já que são dois dos jogadores mais valiosos do mundo. Caso não cheguem a um acordo para a renovação, é muito provável que um dos dois – ou mesmo ambos – sejam vendidos, para que não saiam de graça no ano seguinte. Seria um desastre em termos financeiros.

Os problemas financeiros, ao mesmo tempo que suas duas maiores estrelas estão ainda negociando uma possível renovação, podem fazer com que uma coisa tenha que ser usada para resolver a outra. Leonardo, diretor do clube, já afirmou que o planejamento é renovar com os dois jogadores. A prioridade do clube, porém, é renovar com o brasileiro, o jogador mais caro do mundo desde a sua transferência de €222 milhões em 2017. Mbappé, portanto, é o maior candidato a deixar o clube na próxima temporada.

Com tudo isso, o PSG ainda sonha com Messi. Isso só é possível porque o jogador fica sem contrato ao final da temporada, já que seu vínculo com o Barcelona termina. Ainda não se sabe se o argentino poderá ser convencido a continuar na Catalunha, mas os indicativos é que ele quer sair. O Manchester City segue como favorito a contratá-lo, até pela presença de Pep Guardiola.

O PSG, porém, tem o trunfo de ter Neymar, que já disse que quer jogar com o argentino novamente. Apesar de não custar nada para ser contratado, há outro problema: os salários do jogador são imensos, maiores até que Neymar. Isso tem um peso em um clube que precisa cortar custos. Seria possível fazer um time com Neymar, Messi e vendendo mais jogadores e enfraquecendo mais o resto do elenco? É uma questão que deve pesar.

Com €204 milhões de prejuízo projetados ao final da temporada, e depois de violações no Fair Play Financeiro que passaram só com uma multa, mas fizeram com que a Uefa ficasse de olho no jogador, parece mais provável que o clube tente montar o time apenas com Neymar e com um time moldado ao seu redor.

Kazimiersz Deyna: herói do ouro de uma Polônia cheia de craques

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Kazimierz Deyna, da seleção da Polônia (Imago/OneFootball)

Nascido em Gdansk em 23 de outubro de 1947, dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial e da libertação do país, cuja ocupação pelos alemães selou o início do confronto, em 1939, Deyna começou a jogar na adolescência pelo Włókniarz Starogard Gdanski, e teve sua primeira chance num clube profissional a alguns dias de completar 19 anos, jogando pelo ŁKS Łódź. Sua passagem lá durou uma única partida: logo ele foi levado para o Legia Varsovia, um dos principais clubes do país, ligado às Forças Armadas.

Eram os tempos, como já dissemos em outras Histórias Olímpicas, do falso amadorismo nos países do bloco socialista sob influência da União Soviética. E, nesse cenário, Deyna foi nomeado oficial do Exército com a responsabilidade de… jogar bola. Cumpriu à risca a tarefa: com ele cada vez mais presente no elenco, o time foi bicampeão nacional em 1969 e 1970.

Deyna era um meia “das antigas”, com ótima visão de jogo, facilidade no passe e boa chegada à área, o que lhe permitia fazer muitos gols – só com a camisa do Legia foram 93 em 304 partidas, uma excelente média de quase um gol a cada três jogos. Na seleção, sua história começa a ganhar destaque em 1972, nos Jogos Olímpicos de Munique.

Medalha de ouro com a Polônia em Munique-1972

Os Jogos de Munique-1972 foram marcados pelo massacre de 11 atletas, técnicos e dirigentes israelenses, mortos depois de um sequestro na Vila Olímpica. Saiba mais ouvindo o OlimpCast #21, no tocador abaixo.

A vaga havia sido conquistada de forma tranquila num mata-mata contra a Grécia, na primavera do ano anterior: 7 a 0 em casa, 1 a 0 fora, gol de Deyna nesta partida. O sorteio colocou a Polônia num grupo com Colômbia, Gana e Alemanha Oriental, e logo na estreia os colombianos foram presa fácil: 5 a 1 para os poloneses, com dois gols de Deyna e três de Robert Gadocha. Depois, contra Gana, novo passeio: 4 a 0, com gois de Gadocha, um de Deyna e outro de Włodzimierz Lubański. Na decisão do primeiro lugar da chave, o zagueiro Jerzy Gorgoń marcou duas vezes e garantiu a vitória por 2 a 1 sobre os alemães orientais. Aquele foi o único jogo em que Deyna passou em branco.

O regulamento daquela Olimpíada, disputada por 16 seleções, antecipou o que viria nas duas Copas seguintes: em vez de mata-matas nas quartas de final e semifinais, os oito classificados foram divididos em dois grupos, e os vencedores fariam a decisão da medalha de ouro. A Polônia teve uma estreia dura contra a sempre forte Dinamarca, que não era comunista mas também não profissionalizara seu futebol e, por isso, entrava sempre com força máxima nos Jogos. Deyna marcou o gol do empate por 1 a 1, depois de Hansen abrir o placar para os nórdicos. No jogo seguinte, os poloneses teriam pela frente a União Soviética, e Igor Blokhin abriu o placar na etapa inicial. Depois de muita pressão, a Polônia virou no segundo tempo, gols de Deyna, de pênalti, e Zygfryd Szołtysik, este aos 42 minutos.

No outro jogo, a Dinamarca bateu Marrocos por 3 a 1 e assumiu a liderança da chave no saldo. Assim, as duas seleções foram para a rodada decisiva com um olho em cada campo. Em Nuremberg, a Polônia selou seu avanço com um sonoro 5 a 0 sobre os marroquinos, com dois de Deyna, um em cada tempo – Kasimiersz Kmiecik e os já citados Lubanski e Gadocha completaram o massacre. Ao mesmo tempo, em Augsburg, a Dinamarca sucumbia diante dos soviéticos, levando 4 a 0 e perdendo até a chance de lutar pelo bronze.

Bronze que, aliás, acabou dividido: União Soviética e Alemanha Oriental empataram por 2 a 2 e ainda não havia regulamentação de disputa de pênaltis, fazendo com que as duas seleções compartilhassem o pódio (se houvesse talvez não adiantasse muito, visto que o árbitro desse jogo foi o brasileiro Armando Marques, que ano seguinte erraria as contas na decisão entre Santos e Portuguesa, fazendo com os dois times dividissem o título paulista).

Na disputa do ouro, a Polônia enfrentou a Hungria, que buscava o inédito tricampeonato olímpico depois das conquistas de Tóquio-1964 e Cidade do México-1968. Os magiares saíram na frente com um gol de Bela Varady, aproveitando uma bola perdida pela defesa polonesa, aos 42 do primeiro tempo. Mas não tiveram muito tempo para comemorar: aos 2 minutos da etapa final, Deyna recebeu passe da esquerda, avançou pelo meio, driblou dois húngaros e bateu seco, rasteiro, longe do alcance do goleiro István Géczi.

A virada veio aos 23 minutos: um cruzamento da esquerda tentou encontrar Lubanski, ele se atrapalhou com os zagueiros húngaros e Deyna, honrando a camisa 9 que vestia, como um verdadeiro centroavante, aproveitou o rebote, limpou o goleiro e tocou para o gol vazio. Além de campeão, artilheiro: foram nove gols em sete partidas e a maior conquista da história do futebol da Polônia.

Mas a seleção não parou por aí, e se firmou nos anos seguintes como uma das forças do futebol europeu. Em 1973, classificou-se para a Copa do Mundo como campeã do grupo que tinha ainda Inglaterra e País de Gales. A equipe estreou com derrota por 2 a 0 para os galeses em Cardiff, mas se reabilitou e venceu ambos em casa: 2 a 0 nos ingleses, 3 a 0 em Gales. Na última rodada, em Wembley, um empate por 1 a 1 definiu a classificação polonesa. Deyna não marcou gols nas Eliminatórias, mas esteve presente em todos os jogos e, no ano seguinte, de volta à Alemanha Ocidental, foi escolhido o capitão do time, com três gols marcados. A Polônia terminou em terceiro, depois de vencer o Brasil por 1 a 0, e teve novamente o artilheiro da competição, Lato, com sete gols.

Montreal-1976, Copa-1978 e fim da carreira

Em 1976, Deyna foi a Montreal para comandar uma nova aventura olímpica da Polônia. Seguiu como titular e capitão do time, que começou mal, empatando por 0 a 0 com Cuba num grupo de três seleções: Gana boicotou os Jogos na última hora, junto com boa parte dos países africanos, em protesto contra a presença da Nova Zelândia, acusada de quebrar o embargo que havia contra a África do Sul, por causa do regime do Apartheid, para disputar uma série de amistosos de rúgbi.

O boicote africano e outras histórias dos Jogos de Montreal-1976, estão contadas no OlimpCast #22, que você pode ouvir abaixo. Aperte o play!

No outro jogo, Deyna marcou seu único gol, que virou para 2 a 1 um complicado jogo contra o Irã – acabou 3 a 2 para a Polônia, que avançou às quartas de final, onde atropelou a Coreia do Norte, 5 a 0. Nas semifinais, 2 a 0 em cima do Brasil de Carlos, Edinho e Júnior. Mas, na decisão, o time não resistiu à força da Alemanha Oriental e foi derrotado por 3 a 1. Restou o consolo de ter novamente o artilheiro, Andrzej Szarmach, com seis gols. Em 1978, a seleção voltou à Copa, depois de eliminar Portugal, Dinamarca e Chipre nas Eliminatórias, e mais uma vez chegou à segunda fase.

Nos campos da Argentina, Deyna marcou seu último gol pela seleção, na vitória por 3 a 1 sobre o México, e fez sua despedida, na derrota por 3 a 1 para o Brasil. Após mais de uma década de bons serviços prestados, com 97 jogos e 41 gols pela seleção, ganhou um direito reservado a poucos até então: foi liberado para ganhar libras esterlinas com a camisa do Manchester City. Depois de três temporadas e apenas 43 jogos pelos azuis, com 13 gols, cruzou o Atlântico para defender o San Diego Sockers na NASL (North American Soccer League).

Aposentou-se após quatro temporadas, em 1984, aos 37 anos, e resolveu ficar morando no país. Além de jogar, esteve em outra seleção: o time de prisioneiros de guerra do inacreditável filme Fuga Para A Vitória, em que contracenou com Pelé, Bobby Moore, Osvaldo Ardiles e Sylvester Stallone. Enquanto isso, a Polônia seguiu fazendo bonito: ficou em terceiro lugar na Copa de 1982 e avançou às oitavas em 1986, caindo diante de um Brasil muitas vezes presente nesta história.

Na madrugada de 1º de setembro de 1989, a pouco mais de um mês de completar 42 anos, Kasimierz Deyna morreu num acidente de trânsito numa estrada da Califórnia, ao bater seu Dodge numa caminhonete — segundo as investigações da polícia, provavelmente dormiu ao volante, porque não ficaram marcas de frenagem na pista. Uma lenda que deixou saudades, uma referência a menos para o menino Robert, que havia acabado de celebrar seu primeiro aniversário e hoje, mais de três décadas depois, finalmente mostra que, sim, um jogador polonês pode estar entre os melhores do mundo. Assim como Deyna esteve nos anos 1970.

Mudança de nome e escudo é só o começo: Internazionale pode mudar também de dono

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Torcida mostra escudo da Inter (GIUSEPPE CACACE/AFP via Getty Images/OneFootball)

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A Internazionale pode em breve deixar de ser chamada assim. Conhecida só como Inter na Itália e como “Inter Milan” em países anglófonos e Inter de Milão no Brasil, o clube quer estabelecer um nome único no mundo. Por isso, segundo informação divulgada na última segunda, deve adotar o nome Inter Milano e também alterar o escudo, que atualmente tem as iniciais de Football Club Internazionale Milano (FCIM), para ficar apenas como IM. Estas, porém, são apenas a mudança mais aparente no clube. É bem provável que haja mudanças também estruturais, com mudança inclusive dos donos.

Quando o clube conquistou a tríplice coroa, em 2010, a gestão era completamente diferente. O dono era Massimo Moratti, bilionário italiano do ramo de petróleo. Por vezes o clube parecia um buraco sem fundos, com contratações caras para tentar competir com os rivais, mas passando um longo período sem um scudetto – de 1989 a 2006.

Durante seus 18 anos como dono, de 1995 a 2013, o dono despejou muito dinheiro para tentar levar o clube ao patamar mais alto da Europa. Conseguiu na parte final. Com ele, conquistou a Copa da Uefa em 1997/98, cinco títulos italianos de 2006 a 2010 (o primeiro deles no escândalo Calciopoli), quatro Copas da Itália (2005, 2006, 2010 e 2011) e uma Champions League, em 2009/10, além do Mundial de Clubes em 2010.

Em 2013, Moratti vendeu o clube para Erick Thohir, empresário da Indonésia. O investimento, porém, durou pouco. Em 2016, ele vendeu o clube para o Suning Holdings Group, que tem Zhang Jindong como presidente. O seu filho, Steven Zhang, assumiu a presidência do clube, cargo que ocupa até este momento.

Prejuízo na temporada 2019/20, afetada pela pandemia

Bandeira de escanteio com o escudo da Inter (Imago/OneFootball)

A situação financeira do clube não é animadora. No último ano fiscal, que se encerrou em 30 de junho de 2020, a Inter teve um balanço de €102 milhões negativos. Na época, em entrevista à agência Ansa, a diretoria do clube enviou um comunicado dizendo que “continuaria a apoiar a gestão da estrutura corporativa de forma a garantir a estabilidade operacional e desportiva do clube”.

Nos primeiros dias do ano, surgiu a especulação que o grupo Suning estaria disposta a vender o clube, mas foi negado pelo clube. Era dia 2 de janeiro. Os problemas, porém, foram aparecendo. Foi reportado que o clube não pagou a íntegra dos salários dos jogadores em novembro e dezembro e que os pagamentos adiados de julho e agosto, por causa da pandemia, também seriam acertados em fevereiro.

O jornal La Reppublica relatou que o diretor esportivo Beppe Marotta se reuniu com os jogadores para assegurar que o pagamento será feito. Caso a Inter não pague até fevereiro, pode receber uma punição em pontos da Serie A.

Restrição do governo chinês e saída de investidor minoritário

Zhang Jindong (frente), dono da Inter, e Steven Zhang, filho e presidente do clube (Emilio Andreoli/Getty Images )

O momento que o grupo Suning comprou a Inter era de investimentos pesados de chineses no futebol, em várias partes do mundo, mas especialmente na Europa. O rival Milan também foi comprado por um grupo chinês em 2017, liderado por Ly Yonghong e David Han Li. Como se mostrou depois, os empresários não tinham condições de comprar o clube acabaram destituídos pela empresa que emprestou o dinheiro a eles para o investimento, a Elliot, um fundo de investimentos, que assumiu o clube em julho de 2018.

A situação da Inter não passou nem perto do drama do rival, mas mudou em relação ao momento que os chineses chegaram. Se em 2016 havia muito dinheiro de empresas chinesas dispostas a investir no futebol, o quadro já não era o mesmo em 2020. A pandemia da COVID-19 aumentou o grau de incerteza das empresas, somado a limites estabelecidos pelo governo chinês para investimentos fora do país. A combinação de restrições internas e queda de receitas fez com que o grupo Suning considerasse a opção de vender a Inter.

O grupo Suning tem buscando investidores porque a LionRock Capital, acionista minoritária com 31,05% do clube, deve sair. A BC Partners, empresa de investimentos britânica, é a principal candidata a assumir o posto. Segundo o Corriere dela Sera, a empresa pode fazer uma parceria com o grupo americano Ares para não só comprar as ações da LionRock Capital, mas para assumir o controle do clube. O grupo Suning tem os outros 68,5% das ações da Inter.

Segundo a Reuters, o Suning Holdings Group quer vender ao menos uma parte do clube e citou como fontes pessoas envolvidas na negociação. Os dois últimos donos da Inter, Massimo Moratti e Erick Thohir, tentaram vender parte das ações, mas só acharam quem comprasse a maioria das ações e passasse a controlar o clube. Pode acontecer uma situação similar neste caso.

Segundo a Reuters, uma das opções seria vender algo como 40% das ações do clube, avaliado em €500 milhões. O grupo Suning pagou €270 milhões em 2016 para comprar os 68,5% das ações que possui. A ideia do grupo chinês é vender parte das ações e continuar no controle do clube, com uma cláusula que permita a recompra das ações no futuro.

A financeira Goldman Sachs está prestando o serviço de consultoria para a Suning para o negócio. Segundo a Reuters, o BC Partners está “na metade do processo” para a compra das ações. Segundo uma das fontes da Reuters, o BC Partners quer fazer a aquisição completa da Inter.

Além da BC Partners, outras empresas interessadas seriam EQT Partners, Arctos Sport Partners e própria Ares Management, que pode formar uma parceria com a BC Partners. Neste momento, a situação do clube é incerta em relação a quem serão os donos. Se sabe que a mudança de nome e de escudo deve acontecer em março. A mudança deve ser uma forma de também tornar o clube mais atrativo e aumentar receitas comerciais, um dos pontos que se avalia ser necessário melhorar nos rossoneri.

Esportivamente, a Inter faz uma temporada que pode sonhar com o título. O rival Milan é quem lidera, mas está a apenas a um ponto na tabela. A briga pelo scudetto está acirrada, ainda mais com a Inter conquistando uma vitória importante diante da Juventus, no último fim de semana.

Desde 2010, quando Mourinho foi o campeão da tríplice coroa, a Inter teve 12 treinadores. O mais recente é Antonio Conte, que chegou em 2019 e tenta levar o clube ao seu primeiro scudetto desde a saída de Mourinho, há mais de 10 anos.

Com  o grupo Suning como dono, a Inter voltou à Champions League, depois de uma ausência de seis anos. Porém, o clube foi eliminado na primeira fase nas três participações que fez até aqui, em 2018/19, 2019/20 e 2020/21.

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